Delegada Dra. Cristina Spir Santana esclareceu sobre o caso à imprensa (Foto: Alex Pelicer)

 

Depressão pós-parto pode ter sido o fator responsável pelo crime cometido por uma moradora de Mirassol na última segunda-feira, 4 de fevereiro. A mulher que não teve a identidade revelada, vai responder judicialmente por abandono de incapaz, após ter deixado seu filho, um menino de aproximadamente 15 dias, em uma praça da cidade de São José do Rio Preto. Foram os investigadores da Delegacia de Mirassol que chegaram até a acusada, após uma denúncia anônima.

Os policiais civis se dirigiram então até o local indicado na ligação, uma casa no bairro Santa Cláudia, e encontraram a mulher. Ela confessou ser a mãe da criança e ter cometido o delito e posteriormente foi conduzida até a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José do Rio Preto, onde prestou depoimento à Delegada Dra. Cristina Spir Santana.

 

Bebê foi encontrado pela PM próximo a uma praça de Rio Preto (foto: divulgação/PM)

 

Mãe de outros três filhos menores de idade e passando por problemas financeiros, a mulher contou à oficial que não sabe ao certo o que a levou a abandonar a criança e que assim que o bebê nasceu ela começou a se sentir muito deprimida.  “Ela alegou que estava se sentindo muito mal e numa condição bastante desfavorável, em um momento bem desfavorável da vida dela. Já possuindo outros filhos ela engravidou, sem esperar, levou a gestação até o final e assim que teve a criança começou a ficar muito deprimida”, contou a delegada em coletiva de imprensa.

O arrependimento, segundo a mulher, veio logo após o ato, quando ela tentava voltar para casa. Ela então ligou para a polícia e para o SAMU e ainda tentou retornar ao local, mas não encontrou mais a criança, que já havia sido localizada pela Polícia Militar e encaminhada ao Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto.

Pai abandonou o filho antes mesmo do nascimento

A mulher, mãe solo de outros três filhos menores de idade, contou em depoimento que sua situação financeira não era favorável e que o pai do bebê se afastou dela assim que soube da gravidez, não assumindo nenhum tipo de responsabilidade durante ou posterior à gestação. Os dois não chegaram a conviver juntos, eles tiveram um relacionamento amoroso que terminou com a notícia sobre a chegada da criança. Ela sequer citou o nome dele durante depoimento.  Todos esses fatores somados ao desequilíbrio hormonal causado pela gravidez podem ter levado a uma depressão pós-parto.

Indiciada, ela deve responder em liberdade até decisão da justiça 

A mulher foi indiciada e deverá responder pelo crime de Abandono de Incapaz em liberdade até que sejam coletadas demais provas e que a justiça decida sobre sua sentença. Caso seja considerada culpada, ela poderá cumprir pena de seis meses a três anos de prisão, podendo haver causa de aumento, porque ela é a mãe da criança. Ao sair da DDM ela não quis dar entrevista à imprensa, todas as informações foram cedidas pela delegada responsável pelo caso.

Mãe vai tentar reaver a guarda do filho

A mãe também revelou durante depoimento que pretende reaver a guarda do filho, que está agora aos cuidados de uma Casa Abrigo até a resolução do caso. O Conselho Tutelar também foi acionado.

 

O que é depressão pós-parto?

De acordo com o Portal do Ministério da Saúde, a depressão pós-parto é uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto. Raramente, a situação pode se complicar e evoluir para uma forma mais agressiva e extrema da depressão pós-parto, conhecida como psicose pós-parto. Os sintomas típicos da depressão pós-parto são melancolia intensa/desmedida, desmotivação profunda diante da vida, ausência de forças para lidar com a rotina e muita tristeza, acompanhada de desespero constante. A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo.