equipe de médicos do Hospital de Base que desenvolveram o estudo (foto: divulgação/Assessoria de Imprensa HB)

 

Um dispositivo inédito desenvolvido por médicos do Hospital de Base de São José do Rio Preto já preveniu diversas mortes e complicações relacionadas à Injúria Renal Aguda (IRA). O dispositivo emite um alerta eletrônico ao médico quando um paciente internado apresenta IRA, que é a perda repentina do funcionamento dos rins. Junto com o alerta, o mesmo fornece várias orientações ao médico sobre os procedimentos a adotar. Mais ainda, uma verificação das medicações que o paciente está em uso é realizada por uma farmacêutica, com intuito de interromper drogas que possam prejudicar o funcionamento renal.

O dispositivo é baseado em inteligência artificial e foi vencedor do “Prêmio Magaldi” no 20º Congresso Paulista de Nefrologia, organizado pela Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo, em setembro/2019. Ele avalia o resultado do exame de creatinina (utilizado para avaliação da função dos rins) do paciente e emite um alerta no prontuário médico indicando que os rins não estão funcionando adequadamente. O programa opera nos mais de 1.500 computadores acessados pelos médicos no Hospital de Base.

Estudo feito pela equipe do Serviço de Nefrologia do Hospital de Base de Rio Preto comprovou a eficácia do dispositivo ao constatar que houve redução de 17% das mortes por IRA após a sua utilização. “Além da mortalidade ter diminuído bastante, percebemos que, em muitos pacientes, a doença não evoluiu”, destacou o médico nefrologista Emerson Quintino.

No estudo, realizado em 2018, foram diagnosticados 3.174 pacientes com insuficiência renal aguda, que representaram cerca de 10% dos internados no Hospital de Base de Rio Preto. A evolução para os graus mais avançados e a mortalidade foram comparadas antes (primeiro semestre) e após (segundo semestre/2018) a implantação do dispositivo. A redução de mortalidade foi de 17%.

“A utilização deste alerta é de suma importância, pois a injúria renal aguda (IRA) é potencialmente evitável, mas, infelizmente, é reconhecida tardiamente na maioria dos casos. Além do atraso, existem também falhas em seu manejo.”

Ana Carolina Nakamura Tome, nefrologista que participou do estudo.

 

Não há dados no Brasil, mas nos EUA a doença causa a morte de 300 mil pacientes todo ano. Apesar de potencialmente evitável, a IRA geralmente é diagnosticada de forma tardia e o paciente fica passível de graves complicações, inclusive necessidade de hemodiálise.

Participaram do estudo:

Ana Carolina Nakamura, Maurício Nassau Machado, Mário Abbud Filho, Rodrigo José Ramalho, Karise Fernandes Santos, Helga Tamara Agostinho e Bianca Ponte sob orientação do Dr. Emerson Quintino de Lima e suporte do Núcleo de Tecnologia Integrada da Funfarme.