Mãe e filha realizaram primeiro contato via chamada de vídeo, após 42 anos (Foto: divulgação/Ana Ruffo)

 

Graças ao trabalho realizado pela advogada de Mirassol Drª Ana Ruffo, mãe e filha que não se viam há 42 anos puderam conversar novamente nesta quarta-feira, 18 de novembro, via chamada de vídeo. O reencontro foi possível graças ao esforço feito pela profissional, que foi nomeada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para atuar em uma Ação de Declaração de Ausência, aberta no ano 2000.

Esse tipo de processo acontece quando a família decide entrar na justiça porque não tem mais informação sobre o familiar. Ele precisa ser revisto a cada dez anos para atualizações. Em contato com o Mirassol Conectada, Dra. Ana explicou que as familiares não se viam desde o ano de 1978, quando Fátima V.L., então com 14 anos de idade, saiu de Mirassol e foi para São Paulo, morar e trabalhar em casa de família. A mãe, Neuza L.B., continuou morando no município e nunca mais recebeu notícias da filha.

Dra. Ana conta que ao ler todo o texto ficou tocada, pois passou por uma situação parecida.

“Depois que li o processo, fiquei tocada, pois quando minha avó materna faleceu, meu avô não tinha condições de criar as cinco filhas e doou uma para cada família criar. Tenho tias e primos que não conheço. Então, assim como achei alguns familiares meus pela rede social, tentei achar a minha cliente”, conta Ana.

Após estudar os documentos nos autos, a advogada notou que Fátima, a filha, atualmente com 57 anos, havia se divorciado no ano de 2016, na cidade de Guarulhos. A partir dessa informação ela começou a pesquisar nas redes sociais, encontrando no Facebook uma pessoa com o mesmo nome e aproximadamente a mesma idade da mulher que ela estava procurando.

O contato

Após localizá-la, a advogada entrou em contato, no início a mulher ficou desconfiada e sem entender a situação, afinal, ela desenvolveu um novo círculo familiar longe daqui. Porém, depois, emocionada, ela declarou ter vontade de rever a mãe.

 

Dra. Ana em contato com a cliente, Fátima, que é filha da moradora Neuza, de Mirassol (Foto: divulgação)

 

Em seguida, Dra. Ana foi até a casa da mãe, Neuza, de 79 anos, que também desconfiou. “Me apresentei como advogada e disse que estava em nome de sua filha. Ela ficou muito surpresa e emocionada e também disse querer reencontrar a filha”, completa Ana Ruffo.

Para concretizar esse encontro, a advogada procurou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mirassol, Dr. Marcos Galves, e pediu ajuda. Ele se prontificou a acompanhar a reunião e reservou uma sala da OAB para que as duas pudessem se ver e se falar novamente, o que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 18 de novembro, de forma virtual, depois de 42 anos.

Da esquerda para direita, Ana Ruffo (advogada), Jucimara (irmã), Neusa (mãe) e Dr. Marcos Galves (Presidente da OAB Mirassol) – (Foto: divulgação)

 

Função social do advogado

O advogado e presidente da OAB, Dr. Marcos Galves, explica que esse tipo de situação é inusitada e pouco comum. De acordo com ele, a declaração de ausência acontece quando a família solicita ao juiz o reconhecimento da ausência.

Foi o que aconteceu em Mirassol, a mãe, Neuza, entrou com a declaração de ausência porque não conseguia localizar a filha. Com isso, Dra. Ana Ruffo foi nomeada para representar a filha, a partir daí ela teve acesso aos documentos do processo, realizando uma intermediação entre as partes.

Dr. Galves elogia o trabalho da profissional e afirma que a mesma agiu com excelência, encontrando a pessoa em questão e intermediando esse contato. “A nossa impressão é de que contribuímos para um final feliz, que é essa aproximação entre uma mãe, já idosa, e sua filha, que não se viam há mais de 40 anos”, comenta.

Ele explica que a OAB de Mirassol possui um convênio com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e foi por meio dessa parceria que esse processo chegou até as mãos de Dra. Ana. De acordo com Dr. Galves, os profissionais inscritos para realizar esse tipo de trabalho estão cumprindo uma responsabilidade social, pois os honorários são muito baixos e são ações que normalmente exigem muito do advogado.

Ele afirma que é trabalhando à frente desses processos que é possível conhecer as mais adversas situações que envolvem a sociedade e que o papel do advogado é esse, proporcionar justiça para todos. “Tanto que há três anos a nossa casa mudou de nome, antes era chamada de Casa do Advogado e atualmente é a “Casa de Advocacia e Cidadania”, pois tem como objetivo promover a diversidade e também discutir sobre a sociedade como um todo”, completa.