O que acontece quando artistas e entusiastas da cultura se unem? Nasce um coletivo! Em Mirassol, a classe artística e apoiadores do COLETIVO D.I.A (DIVERSIDADE, INTERIOR E ARTE) tem se organizado e iniciado uma movimentação também na esfera política para resgatar e incentivar a arte produzida no interior.

Confira a entrevista com o grupo e conheça os projetos e metas, veja quem faz parte e saiba também como participar:

 

  • O que é um coletivo?

Um coletivo é um grupo de pessoas que se encontram unidas por um mesmo propósito.

  • O que é o coletivo D.I.A.?

O coletivo D.I.A. (Diversidade, Interior e Arte) é um coletivo autônomo e apartidário de artistas do interior de São Paulo que têm como grande objetivo o apoio a todos e a diferentes artistas, de distintas regiões do Brasil e de fora dele, possibilitando trocas de experiências e culturas.

  • Quando foi fundado e como foi construído o D.I.A.?

O grupo começou em 2020 através da ideia e desejos compartilhados entre Júlio Salomão, Carol Drudi e João Bolzan em formar um coletivo de artistas. Com a iniciativa novos contatos foram feitos, pouco a pouco, com amigos próximos. A ideia não foi só ganhando forma como também mais pessoas e hoje outros profissionais passaram a constituir uma administração que se comunica através de ações e de mídias virtuais como Whats App, Instagram e Facebook.

Facebook: https://www.facebook.com/coletivodia

Instagram: https://www.instagram.com/coletivodia/

  • Por que o coletivo foi criado?

Ele foi criado porque pretende transformar a situação atual da cidade de Mirassol e de outros municípios que é a escassez/falta de um ambiente cultural onde a atenção seja voltada totalmente à arte e ao incentivo dela, e, principalmente, por sentirmos falta de um apoio devido aos artistas menos conhecidos ou artistas que ainda não se descobriram artistas e/ou que ainda não enxergam-se como artistas. O propósito é apresentar mais histórias, validar e reconhecer essas histórias destacando e dando importância maior à cultura mirassolense, além de também estimular culturalmente as pessoas que aqui vivem.

A partir daí queremos expandir o mesmo projeto para outros estados e cidades do Brasil que encontram-se na mesma situação de escassez cultural e artística possibilitando também, num futuro próximo, a conexão direta entre artistas estrangeiros e artistas brasileiros criando um ambiente de troca mútua de aprendizagem, saber, arte e crescimento.

  • Como é organizado o grupo?

Nossa organização acontece através da divisão de pastas e funções. Cada administrador voluntário do coletivo DIA é responsável por suas próprias atividades, trabalhando com o espírito de colaboração mútua de forma a tornar eficiente e funcional o desenvolvimento e a existência do grupo.

  • Quem são os atuais membros? Como participar sendo artista ou administrador?

 Os membros são artistas e pessoas interessadas em apoiar as artes, o serviço todo é voluntário. Se você quer colaborar basta entrar em contato com as redes sociais do COLETIVO D.I.A. ou com um dos administradores atuais:

  • Beatriz Carvalho : (17) 981207346
  • Beatriz Molina: (17) 991356275
  • Carol Drudi: (11) 958692277
  • Dureid Leão: (34) 92454140
  • Giovana Pedrozo: (17) 991264315
  • João Alberto: (17) 981598554
  • Natália Campanholo: (17) 981832166

 

  • De que maneira artistas podem apoiar o coletivo?

Há várias formas, entre elas:

– fazendo parte do nosso catálogo e agenda de contatos, compondo assim nossa galeria virtual de artistas, podendo mostrar o seu trabalho sem custo nenhum,

– apoiando através da doação de obras/produções artísticas para integrar a sede que será utilizada pelo coletivo

– por meio de doações financeiras para a execução de projetos e ações,

– convidando outros artistas a participarem do coletivo e mandando amostras virtuais dos trabalhos, compartilhando assim, as artes e também as histórias.

  • Por que é tão importante que os artistas participem?

São os artistas que movem o Coletivo, são eles os responsáveis pelo fato do Coletivo DIA existir. Essa participação ativa permitirá não só um sucesso cultural maior para a cidade de Mirassol, mas também benefícios pessoais próprios para eles, os trabalhos ficarão mais conhecidos e a experiência diária de vários eventos e trocas que acontecerão permitirão ampliar os olhares, negócios e a comunidade vai poder ter acesso a arte.

  • Como é formada a galeria online?

É feita uma pesquisa de artistas próximos e distantes da região de Mirassol. Os artistas podem enviar espontaneamente ou são convidados a mandarem seus trabalhos juntamente com uma apresentação pessoal (BIO) para os administradores/redes sociais do coletivo e assim são divulgados conforme a ordem de recebimento dos perfis.

  • Que lugar abrigará a sede do coletivo que vocês estão almejando?

O espaço que abrigará os coletivos “D.I.A.” e “Casa de Marias” está em negociação com o Departamento de Cultura e Turismo de Mirassol. No dia 8 de fevereiro foi realizada reunião presencial entre ativistas com o vereador Julio Salomão, com o Diretor Wilson Bertati e com o coordenador cultural Fábio “Chocolate” para discutir a possível criação de um calendário cultural para cidade e a elaboração de ações públicas como o projeto de revitalização do CEU (Centro Educacional Unificado), também conhecido como Praça do PEC.

Integrantes dos coletivos “DIA” e “Casa de Marias” estiveram reunidos recentemente com representantes do Poder Executivo e Legislativo no Auditório Municipal (Foto: Divulgação)
  • Quais são as próximas metas do coletivo D.I.A.?

Estamos trabalhando na execução dos seguintes objetivos:

1) conquistar a sede própria para atuação dos coletivos e elaboração de projetos;

2) catalogar e divulgar os artistas incentivando a arte e o comércio de obras,

3) revitalizar a Praça PEC (localizada entre os bairros Cohab III e Nova Esperança).

Estamos continuamente convidando cada vez mais e mais artistas para conhecerem o coletivo e participar da galeria virtual, criando mais visibilidade, conexões e construindo parcerias fortes e estáveis.

  • Como está sendo organizada a revitalização da PEC?

O planejamento está em andamento. Estamos recrutando artistas e voluntários interessados em colaborar. Queremos a abertura e utilização do espaço por artistas e pela comunidade.

  • Além da criação de um centro cultural, como estão sendo pensadas as ações sociais?

É preciso pensar em projetos sociais aliados à arte, pois são os projetos sociais que são responsáveis por provocar mudanças efetivas dentro da cidade de Mirassol, são eles que irão fornecer um apoio à democratização da arte, são eles que irão facilitar esse processo.

Será possível fornecer aulas gratuitas de diversos tipos de arte para todas as idades levando o conhecimento de forma humanitária e bem distribuída. Todos terão um fácil acesso a aprendizagem, o que permitirá também uma profissionalização dos participantes. O coletivo procurará oferecer através de parcerias oportunidades, como bolsas de estudos, para apoiar quem sofre com a carência de recurso financeiro para isso.

O coletivo também promoverá eventos para levar presencialmente para as comunidades acesso à arte através de exposições artísticas, cursos, oficinas entre outras atividades de aprendizagem num processo integrativo. O compromisso do DIA com o social foi firmado a partir do momento em que ele foi criado e assim deve seguir durante seus próximos anos de existência e gestões administrativas.

  • Um dos pilares do coletivo é a democratização da arte. O que vocês querem dizer com isso?

 Antigamente a arte era produzida apenas pela Elite e para a Elite, são raros os artistas de condições econômicas baixas que receberam um destaque durante a história. Apesar de anos terem se passado, a arte ainda continua sendo algo pertencente à Elite e ainda não democratizada (para todos). O coletivo de artistas surgiu, entre os propósitos, para fazer com que a arte seja acessível a todos.

A apreciação artística e história da arte não têm lugar na escola. As únicas imagens na sala de aula são as imagens ruins dos livros didáticos, as imagens das folhas de colorir, e no melhor dos casos, as imagens produzidas pelas próprias crianças. Mesmo os livros didáticos são raramente oferecidos às crianças porque elas não têm dinheiro para comprar livros. O professor tem sua cópia e segue os exercícios propostos pelo livro didático com as crianças. Este é o caso de 74,5% dos professores entrevistados por Heloísa Ferraz e Idméa Siqueira (1987, p.27). Visitas a exposições são raras e em geral pobremente preparadas. A viagem de ônibus é mais significativa para as crianças do que a apreciação das obras de arte. A fonte mais freqüente de imagens para as crianças é a TV, os fracos padrões dos desenhos para colorir e cartazes pela cidade (outdoors). As crianças de escolas públicas, na sua grande maioria, não têm revistas em casa, sendo o acesso à TV mais freqüente e mesmo que não se tenha o aparelho em casa, há a possibilidade do acesso a algum tipo de TV comunitária. (https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000300010)

A democratização da arte não permitirá somente uma proximidade maior entre arte e diversos tipos de pessoas e classes num contexto cultural mas, também, educacional.

  • Por que esse projeto é interessante para prefeituras e gestores da cidade?

Por todos os benefícios em diversos âmbitos que o coletivo pode causar.

  • Qual o papel histórico do coletivo na cidade?

Resgatar, registrar e eternizar a história da cidade e das pessoas através das artes.

  • Como uma gestão participativa colabora para a nossa construção social mais plural e democrática?

Uma gestão participativa permitirá tomadas de decisões mais coerentes, justas e democráticas, onde todos poderão pontuar seus pensamentos e ideias a fim de se estabelecer um consenso e uma tomada de decisão única e conjunta permitindo uma união, conexão e empatia maior entre os membros. Sendo assim, os impactos dessa administração refletirá também na sociedade e para a sociedade.

  • Quais os benefícios de transformar a cidade com arte?

Vamos estabelecer e fortalecer patrimônios culturais, construindo uma identidade própria da cidade e valorização da cultura produzida no interior.

  • Como o coletivo de artistas interage com o Coletivo Casa de Marias?

O coletivo de artistas tem elo muito importante com o Coletivo Casa de Marias de forma que os artistas poderão oferecer suas artes para o Casa de Marias, assim como também poderá trazer artistas mulheres para uma participação maior no Coletivo DIA permitindo, assim, uma junção entre arte e o feminismo, enaltecendo e fortalecendo o poder e a arte feminina como uma forma de empoderamento.

  • O coletivo tem vínculo político? 
  • Somos um coletivo autônomo e apartidário
  1. Somos um coletivo autônomo, porque a ideia foi gerada de uma maneira independente e por indivíduos independentes e não associados. Segundo Kant 1724-1804, a autonomia é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível.
  2. Somos um coletivo apartidário, porque não seguimos e nem defendemos uma linha política específica, o coletivo é, assim, livre dessas associações.

 

 Como a arte pode interferir na sociedade?

A arte nada mais é do que parte da expressão humana onde os artistas desenvolvedores de suas obras (sejam elas: música, dança, teatro, pinturas, fotos, desenhos, esculturas, artesanatos, poemas, graffiti, costuras, colagens e muitos outros) depositam seus sentimentos e olhares durante suas criações.

Através de uma escultura de materiais recicláveis ou um objeto artesanal de resíduos reutilizáveis, por exemplo, é possível trazer um novo significado a esses objetos e diminuir o acúmulo de lixo que temos não só dentro da cidade Mirassol, mas dentro do nosso planeta contribuindo para a menor poluição do meio ambiente.

A arte por meio de suas representações procura compreender as características próprias de um momento da sociedade e é uma forma de manifestação social. O artista usa a obra para relatar o seu momento. Percebe-se que a função da arte como também seu modo e os meios de representação variam conforme a época, segundo Buoro (2000, p. 23) “Em cada momento específico e em cada cultura, o homem tenta satisfazer suas necessidades socioculturais também por meio de sua vontade/necessidade de arte”. De acordo com Fischer (1987, p.51), “[…] o artista continua sendo o porta voz da sociedade.” O artista é um representante da sociedade, ele relata em suas obras a realidade pela qual ela passa. Fischer (1987, p. 51-52) ainda manifesta “A tarefa do artista é expor ao seu público a significação profunda dos acontecimentos, fazendo-o compreender claramente a necessidade e as relações essenciais entre o homem e a natureza e entre o homem e a sociedade”

 

  • Como um movimento artístico é criado? Qual o impacto social de um movimento artístico? O que esse coletivo propõe para a cidade?

Um movimento artístico surge quando vários artistas possuem uma filosofia de arte e a seguem, criando, assim, uma tendência que pode se permear por muito tempo, como também pode apresentar uma curta duração. Um movimento artístico pode gerar impactos políticos, sociais, psicológicos/ emocionais, econômicas e até ambientais num contexto geral: Reforço da tomada de consciência e da apreciação do patrimônio cultural e dos símbolos; Aumento do sentido de comunidade; Identificação com a comunidade e participação nos assuntos da comunidade.

Para Matarasso, as artes são consideradas potenciadoras de utilidade econômico-social no que se refere à coesão, à inclusão e ao emprego, mas também no que se refere ao desenvolvimento pessoal, ao “empowerment” da comunidade, à promoção de uma nova identidade pessoal e territorial e, ainda, no que se refere ao incremento do estado de saúde de quem nelas se envolve ativamente.

“A participação em atividades artísticas promove a existência de benefícios sociais; os benefícios fazem parte integrante do ato de participação; os impactos sociais são complexos, mas compreensíveis; os impactos sociais podem ser avaliados e planeados” (Matarasso, 1997). Espera-se que os projetos tenham aspectos positivos e mensuráveis no capital social local. Através do trabalho que será realizado é possível ter uma perspectiva das várias consequências, ganhos ou efeitos sentidos em vários domínios da vida individual e coletiva no seio de uma comunidade, designadamente em termos de: Mudança pessoal – fazer novos amigos, ser mais feliz, mais criativo e confiante, redução do sentido de isolamento, maior propensão para fazer formação na área artística; Mudança Social – maior compreensão intercultural, sentimento mais forte de território, maior integração de diferentes grupos, melhoria em competências organizacionais; Mudança econômica – impacto no número de novos empregos e na própria procura de emprego, melhor imagem da comunidade para a captação de investimento, aumento na venda de trabalhos artísticos e maior investimento em programas de arte; e Mudança educacional – algumas provas de aumento do sucesso escolar.

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