O isolamento social é algo que divide opinião dos brasileiros, mas é a indicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e, portanto, medida adotada em países onde o vírus tem se alastrado rapidamente. O Brasil registra 11.281 casos positivos e 487 mortes em decorrência do novo coronavírus. De acordo com especialistas, ainda não chegamos ao pico de casos por aqui, diferente dos Estados Unidos, que já é o local com maior número de infectados, ultrapassando a China, epicentro da doença.

Os EUA registram até o momento mais de 337.993 mil casos e 9.653 mortos, para conter o avanço do vírus, o presidente Donald Trump prorrogou as diretrizes de permanência em casa até o fim de abril.

Marco Fernandes, nascido e criado em Mirassol está morando na cidade de Malden, que fica há dez minutos de Boston, no estado de Massachusetts há um ano e seis meses. Em contato com o Mirassol Conectada ele explicou como as consequências do alastramento da COVID-19 o afetaram. Ele e um grupo de colegas foram dispensados do trabalho, em consequência da medida de isolamento total.

“A situação atual aqui é bem parecida com os outros lugares do mundo, o governo do estado decretou isolamento social total, somente serviços de extrema necessidade estão funcionando, como atendimento médico, postos de saúde e coisas relacionadas a necessidades como mercado, as escolas estão fechadas e está tudo parado, o comércio, a construção civil, a situação é de isolamento social total mesmo. Também existe a preocupação econômica por conta dessa situação, muitas empresas estão dispensando seus funcionários por conta disso. Inclusive eu e mais alguns colegas de trabalho foram dispensados também por conta dessa situação atual”, fala Marco.

Marco Fernandes (foto: arquivo pessoal)

 

Na Inglaterra, a chefe médica adjunta Jenny Harries já afirmou que os britânicos podem estar sujeitos a alguma forma de isolamento por seis meses ou mais, alertando o país sobre o risco de uma segunda onda de coronavírus se a medida for retirada muito rapidamente. O vírus já fez 48.451 infectados no Reino Unido, sendo que 4.943 pessoas morreram em decorrência da doença, entre eles um adolescente de 13 anos, que não sofria de doenças pré-existentes.

Reginaldo Veríssimo é de Mirassol e atualmente está morando na capital britânica, ele explica que quando chegou à Inglaterra a situação era totalmente tranquila, não se ouvia falar em coronavírus e nem em prevenção, ouvia-se falar somente sobre o vírus na China e na Itália. Com o passar dos dias, ele conta que a situação na Itália piorou e as pessoas começaram a ter consciência do perigo que o vírus oferece, com isso muitos moradores e turistas que estavam na Itália começaram a se deslocar para a Inglaterra, fazendo com que a contaminação aumentasse rapidamente.

“Tudo que estamos vivendo aqui não é nada muito diferente do que está acontecendo no Brasil, nós estamos um pouco à frente em relação ao surto do coronavírus, estamos no pico do surto e a tendência é aumentar. É um problema sério, é algo que se tem que levar a sério para que o pior não aconteça. Comércio tudo fechado, tudo parado, infelizmente. Mas a gente tem que ter fé e acreditar que tudo vai mudar, não somente pessoas idosas morrem, mas também os novos estão sendo contaminados, então cuidem-se, que é o melhor”, completa Reginaldo.

Reginaldo Veríssimo (Foto: arquivo pessoal)

 

Outro país que também segue em quarentena é a Bélgica, até o momento foram registrados 20.814 casos confirmados e 1.632 mortes por lá desde o início do contágio, sendo a vítima mais jovem uma menina de 12 anos. O país europeu está em regime de confinamento social há duas semanas.

De acordo com a mirassolense Mayra Buzine, que está há seis meses morando na cidade de Braine-I’Alleud, os belgas estão respeitando as medidas de isolamento, poucas pessoas saem às ruas e respeitam o distanciamento umas das outras.

“Quando começou aqui também achávamos ser algo passageiro e que não tomaria essa grande proporção que está hoje. Há três semanas estava tudo normal, tudo ok e de repente subiu o número de casos absurdamente. Entramos de quarentena e o governo elogiou os belgas, dizendo que estão respeitando o confinamento. Estamos liberados para ir ao mercado, farmácia, hospital, para caminhar com uma pessoa que mora no mesmo teto. O confinamento está sendo monitorado e os moradores estão respeitando, tem também a preocupação dos empresários e empresas, mas estão respeitando porque estão vendo que é necessário sim. Aqui você vê as pessoas com medo, porque subiu o número de casos muito rápido, então não é uma brincadeira. É necessário o confinamento”, explica Mayra.

 

Mayra Buzine (foto: arquivo pessoal)

 

No mundo todo, são mais de um milhão (1.289.380) de casos confirmados, 270.372 recuperados e 70.482 mortos pela doença.

Números referentes ao dia 6 de abril, às 10h45, extraídos do site desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, para monitorar em tempo real o avanço do novo coronavírus no mundo. Acompanhe: http://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6