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Enfim, após dois anos de censura velada, estreou no Brasil no último dia 4 o filme Marighella, inspirado no livro do jornalista e escritor Mario Magalhães e dirigido pelo ator e cineasta Wagner Moura.

A estreia ocorreu no aniversário de 52 anos da morte do político, escritor e guerrilheiro, que foi um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar no Brasil, Marighella chegou a ser considerado o inimigo “número um” do regime.

A estreia é significativa, não apenas pela data, mas pelo contexto político/social que estamos vivendo e pode, ou melhor, deve ser encarada como um ato de resistência da arte, das liberdades individuais e da democracia, uma vez que o atual alto escalão do governo fez tudo que podia para impedir o lançamento da obra e é declaradamente entusiasta do período da ditadura militar que durou 21 anos e perseguiu, torturou e assassinou políticos opositores, mulheres e crianças.

Independentemente do sentimento que o filme possa despertar em quem o assiste, seja empatia ou antipatia, em relação ao modo de lidar do grupo liderado por Carlos Marighella contra a ditadura, o fato é que o período ditatorial foi um dos maiores horrores que a sociedade brasileira já produziu e as reações lideradas pelos movimentos estudantis, partidos políticos e demais organizações na época, foram reflexo do que estava posto.

Quando falo em empatia pelo contexto da época no filme, quero esclarecer que eu, pessoalmente, não sou adepto da luta armada, embora eu a reconheça como fator histórico e justificada em algumas situações de alguns países. Eu prefiro o debate à violência, porque o debate é uma ferramenta civilizatória, mesmo porquê, num país como o nosso – racista, de desigualdades socioeconômicas históricas e atualmente em desmantelamento  da máquina socioeducacional – quem pagaria caro por uma luta armada seriam os mesmos que hoje pagam pelo descaso com que o governo os trata, ou seja,  os pobres, os negros e demais excluídos.

O filme Marighella retrata parte dessa luta que levou mais de 20 anos até que o Movimento Diretas Já tomou as ruas de todo o país e, com enorme apelo popular, conquistou a possibilidade da retomada do voto direto ao cargo de presidente da República no Brasil.

A obra é uma das mais premiadas no mundo desde o seu lançamento em 2019, no Festival Internacional de Cinema de Berlin, e já está entre as mais vistas no Brasil.

Adriano Nascimento

 

Adriano Nascimento é Professor, Ativista Político e dos Direitos Humanos. Graduando em Gestão Pública, pós graduando em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano e colunista colaborativo do Mirassol Conectada.