Por Adriano Nascimento

 

Dois astrônomos descobrem que em poucos meses um cometa destruirá o planeta Terra. A partir desse momento, eles assumem o dever de alertar a humanidade por meio da imprensa sobre o perigo que se aproxima, enquanto o governo faz cara de paisagem como se nada estivesse acontecendo, chegando inclusive a negar a realidade causando desinformação por meio de fake news.

Este é o enredo do novo filme entitulado “Don’t Look Up” (Não Olhe para Cima), que estreou na Netflix na última sexta-feira (24). Com participações de artistas renomados como Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence e Meryl Streep e dirigido por Adam McKay.

Filme Não Olhe Para Cima (imagem: reprodução)

 

O filme é um retrato fiel do descaso e do negacionismo sistêmico que tomou conta da política mundial. Em dados momentos, apresenta um tom cômico que logo se dissipa pelo sentimento de desespero causado por tanta falta de consciência e responsabilidade por parte daqueles que deveriam ser porta-vozes da razão, os líderes políticos.

Meryl Streep, brilhantemente, interpreta a presidente Orlean – uma mistura de Trump com Bolsonaro – que está mais preocupada em apaziguar os escândalos em que se envolveu, a fim de não perder apoio político nas eleições, do que encarar o fato de que um desastre causará a extinção de toda a vida na Terra.

No filme, a postura dos governantes que são notoriamente desqualificados para os cargos que ocupam, não é muito diferente da realidade do Brasil atual, onde os responsáveis pelo Conselho Federal de Medicina dizem não ser errado afirmar que cloroquina cura COVID-19, mesmo sem comprovação cientifica de eficácia, ou quando como o ministro da Saúde contraria a Anvisa sobre a segurança da vacina pediátrica da Pfizer. Em Não Olhe para Cima, a diretora da NASA nega a gravidade do iminente impacto do meteoro na Terra e mesmo não sendo minimamente qualificada para o cargo, a mídia se sente obrigada a levar a sério o que ela diz, assim como ocorreu no Brasil com diversos ministros da Saúde e outros líderes nomeados que passaram por Brasília no último período.

No Brasil, o Presidente e seu ministro da saúde se recusam a atender ao chamado da ciência, negando vacinas a crianças e condenando uma geração à morte. Em rede nacional. E sem nenhuma consequência.

Políticos negacionistas, na realidade ou na ficção, não tem a menor graça.

 

Adriano Nascimento é Professor, Ativista Político e dos Direitos Humanos. Formado em Gestão Pública, pós graduando em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano e colunista colaborativo do Mirassol Conectada.

 

Adriano Nascimento (foto: arquivo pessoal)